quinta-feira, setembro 28, 2006

Chega-te a mim...

Lovers in the red sky - Marc Chagall

Chega-te a mim. Mais. Ainda mais, até que o frio não consiga entrar no espaço que nos separa e o teu corpo se molde em mim até que não distingas a minha pele da tua nem saibas qual das batidas pertence ao teu coração.

segunda-feira, setembro 25, 2006

O outro lado

Lovers - Edvard Munch

O eu imaginário e o tu inventado num infinito de diálogos impossíveis entre seres que não se conhecem.

I've Got You Under My Skin (Diana Krall, Live in Paris)



I've got you under my skin
I have got you deep in the heart of me
So deep in my heart, you're really a part of me
And I've got you under my skin

I have tried so, not to give in
I've said to myself this affair it never would go so well
But why should I try to resist when I know so well
That I've got you under my skin

I would sacrifice anything come what might
For the sake of havin' you near
In spite of a warning voice, that comes in the night and repeats in my ear
Don't you know you fool, you never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you makes me stop before I begin
Because I've got you under my skin

I would sacrifice anything come what might
For the sake of havin' you near
In spite of a warnin' voice, comes in the night and repeat to my ear
Don't you know you fool, never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you makes me stop before I begin
Because I've got you under my skin

domingo, setembro 24, 2006

#5

estou à espera de não sei quê, quando me dizem quando? chegará a hora da loucura final debandada pelas ruas nocturnas dos vagões fantasma em pontas entranhas acima das pleuras impossíveis porque só respiram ar. é tão pouco, pedir muito?.

#4

a perspectiva do tudo numa boa num ápice veio-me estava eu a tentar adormecer. talvez tenha tudo sido um sonho

sábado, setembro 23, 2006

Fixar a imagem...

Insisto no caminho que os olhos me dizem. Os passos confundem-se com a intersecção dos pontos que me localizam no presente. Cada avanço, recuo ou hesitação desenha o destino e a transformação do universo. O universo transforma-se em cada intersecção dos pontos de cada caminhante. Somos assim responsáveis pelo pulsar do universo, mas o melhor é nem pensar nisso...fechar os olhos e reinventar o desenho de nós proprios, com lápis e borracha, não vá o desenho fixar a imagem distorcida do sentimento de se ser poeta sem papel para registar o acto ...

#3

//empurra para a frente. para trás-baixo-frente-cima, mais, diagonal enviesada triagonal poligonal, circular a geométrica mente, fogo nas mãos atiça mil milhões de paralelipípedos, oh não, não tenho pé.

sexta-feira, setembro 22, 2006

#1

escrita do diabo, fugir para cavernas estéreis onde o coração translada a terra de mansinho. como dói quando tropeça, recomeça, escrita do diabo, um laço uma prenda atada ao pescoço, os poros em órbita em expectativa em alma cativa. só uma multidão, uma multidão só, só numa multidão.

#2

a ilusão da desfeita ou a desfeita da ilusão, a grande indecisão ou cisão. os átomos não falam, conduzem.

Mailbox


-------------------- caixa de correio peço-lhe que me escreva

o mais depressa possível

quando tiver um tempinho esgravatado

por entre o buraco da fechadura e do metal amarelado. -------------------- frágil.






segunda-feira, setembro 18, 2006

Boy Kill Boy - Suzie



Bem, vamos lá animar um pouco o tasco ... Apesar de lesionada, há músicas que me deixam logo bem disposta! E é o caso desta... Por isso deixo aqui o vídeo e rockem as socas ao som da "Suzie"... ;)


Agora imaginem o que é saltar de muletas ao ouvir isto... eu realmente não consigo estar quieta! :p

domingo, setembro 17, 2006

S...O...


sozinha
sobretudo só
solidão
sono
sossego
silêncio
sobretudo silêncio
símbolo
significado
significação sem significante
sonho
sussurro
subtil subtileza sussurrada
solidão

sobretudo só
sobretudo sim
impossibilidade de dizer não
simples
simplesmente eu
sobretudo eu

sexta-feira, setembro 15, 2006

Nem sempre...

nem sempre há luz ao fim do túnel
nem sempre o fundo se deseja
nem sempre o que se deseja se pode comprar
nem sempre se pode comprar um sonho
nem sempre os sonhos duram até de manhã
nem sempre as manhãs são quentes
nem sempre o quente oriunda de coração frio
nem sempre o frio fecunda lágrimas
nem sempre as lágrimas seguem o mesmo caminho
nem sempre o melhor caminho é a loucura
nem sempre a loucura leva à paixão
nem sempre a paixão é amor
nem sempre o amor se deixa amar
nem sempre amar é sexo
nem sempre o sexo é bonito
nem sempre o bonito traz amigos
nem sempre os amigos sorriem
nem sempre o sorriso é doce
nem sempre o doce termina o amargo
nem sempre o amargo é um desgosto mal lembrado
nem sempre um desgosto é um dissabor
nem sempre um dissabor morre quando nasce prazer
nem sempre o prazer começa com um olhar
nem sempre um olhar termina com um beijo
nem sempre um beijo é sentido
nem sempre se sente o que se toca
nem sempre se toca o que se vê
nem sempre se vê o que se imagina
nem sempre se imagina o fim
nem sempre o fim é mentira
nem sempre a mentira é tudo
nem sempre tudo pode durar

quarta-feira, setembro 13, 2006

lonely tears

terça-feira, setembro 12, 2006

[hands]

deram as mãos como se aquela fosse a primeira vez que as suas mãos se deram. olharam-se nos olhos e, de mãos dadas, dedos entrelaçados, falaram. e um silêncio maior do que eles engoliu-lhes as vozes. e falaram. disseram sem palavras o amor que lhes fluía por dentro, a vontade de trilhar cada caminho lado a lado, o desejo de que todos os passos, todos os gestos sejam unos. e souberam. que pertenciam um no outro. que cabiam no coração do outro. e que a vida os tinha juntado para que traduzissem em sorrisos, em palavras, em silêncios todo o amor.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Sonhos guardados




"queria guardar os meus sonhos numa caixinha para poder usá-los quando estivesse mais triste"


Há sonhos que nos rasgam a pele, nos consomem, nos fazem acordar a meio da noite e desejar alcançá-los mesmo antes de voltar a adormecer. Há sonhos que nos desenham sorrisos quando nos tentam demover do que para nós é certo. Que nos movem as pernas, os braços, e nos fazem seguir em frente. Há sonhos.
E é assim - é assim desde sempre - é assim que sem perceber os guardamos todos em 3 caixas distintas: uns ficam perdidos na memória, uns agarrados à esperança, e outros a saltar no coração. Por isso é que, como costumam dizer, não há mal que sempre dure. Por isso é que depois de um dia triste vem um sonho e nos desenha um sorriso na cara. Por isso é que nunca devemos desistir deles, e sim guardá-los cuidadosamente, um a um, todos dentro de nós.
E guardá-los numa caixinha era bem mais simples e bonito. Andar com ela no bolso, ver um amigo triste e ter a oportunidade de dizer: espera, tenho aqui um sonho que te vai fazer feliz!

Sonhar é pintar a vida com um sorriso.

domingo, setembro 10, 2006

no abraço

apertado. de quem não quer largar. não quer deixar ir. preso pelos braços que juntam corpos. vidas. opostas. como só eu sei. quase gosto destes regressos. desta viagem que me parece sempre demasiado longa. destas saudades e destes silêncios. quase gosto. destes braços quebra-nozes. abraços de distância e desespero. quase gosto destes abraços em que me encostas à parede. e o meu corpo é teu. os cabelos ficam presos entre os teus dedos. e a pele acaba por se confundir. num abraço. apertado. de desespero, desejo e saudade. Tenho saudades de abraçar assim...

sexta-feira, setembro 08, 2006

precisava...

precisava de te escrever... de te dizer tantas coisas que depois se entalam na garganta. eu esqueço que elas existem. passo adiante. mas essas coisas, não sei como, mas encontram-me, moem-me por dentro. sufocam-me. quero gritar. a voz não sai. tento esquecer outra vez. pisar essas coisas. apagá-las. adiá-las. fazer qualquer coisa com elas. menos dizer-te o que vai aqui dentro. isso não. isso nunca. E ando tão cansada de correr. de me esconder. dessas coisas. que são os meus sonhos. impossíveis. e só meus.

terça-feira, setembro 05, 2006

bolso cheio

mais esperta do que pensas
aprendi contigo
a perversidade do amor
a espera
o engano
a desilusão
o desalento
o erguer das mãos

ah tanta estupidez,
pouco amor próprio….

mais cruel do que julgas
criaste em mim
a capacidade da vingança
a demora
o controlo
a surpresa
o ânimo
o gosto da tristeza

ah tanto prazer,
pouca compaixão…

saturou-se. agora apetece-lhe tudo mas tem pouca coragem ainda. dói-lhe a garganta quando grita em surdez a revolta. é egoísta. cala-se. são sepultadas as palavras sem sentido - para ele nunca fazem sentido. são apenas barras de uma cela que o amor não pode erguer. amor?! não. deixou de dar-se ao trabalho das conversas concorridas. a voz alta sem retorno não vale mais a pena. cansa. já não há surpresa com a pouca partilha. sabe agora mais do silêncio... cada vez evidente no passar das horas. surdo. ele.
sabe?!

Hoje sou...

Agora sou um fim de dia.
As palavras que se esborratam no papel
são a companhia mais fiel que consegui arranjar.
Hoje há um dia por escrever, sem mim.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Paradoxo(s) grande(s) demais

Vivemos no paradoxo do tempo, nestas coisas todas que temos. Temos edifícios mais altos mas pavios mais curtos, auto-estradas mais largas mas pontos de vista mais estreitos, gastamos mais mas temos menos, compramos mais mas desfrutamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais medicina mas menos saúde. Temos maiores rendimentos mas menor padrão moral. bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma irresponsável, rimos de menos, dormimos demais, conduzimos rápido demais, irritamo-nos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais a olhar apenas para a televisão e raramente pensamos, demais. multiplicamos as nossas posses mas reduzimos os nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com frequência. aprendemos como ganhar a vida mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão das nossas vidas mas não vida á extensão dos nossos anos. Já fomos à lua e dela voltamos mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores mas não coisas melhores. Limpamos o ar mas poluímos a alma. São os tempos de refeições rápidas e digestão lenta, de homens altos e caracter baixo, lucros expressivos mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja pela paz mas perdura a guerra, temos mais lazer mas menos diversão, maior variedade de tipos de comida mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda mas de mais divórcios, de residências mais belas mas mais lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis na moralidade que se descarta facilmente, olhares de uma só noite, corpos acima do peso e pílulas que fazem de tudo até matar. É tempo em que há de tudo na montra e nada no armazém, tempo em que a tecnologia leva estas palavras e se pode escolher entre fazer alguma diferença ou simplesmente carregar na tecla del.

sábado, setembro 02, 2006

Que sorte...

Quando não se vê onde se põe o pé ao descer escadas, acontece isto... cai-se e depois somos premiados com uma bela entorse e com umas dores que nos fazem fazer caretas! :( E foi isso que me aconteceu ontem... Felizmente tenho uma "equipa" comigo que deve ter feito qualquer curso no INEM e fizeram logo os primeiros socorros à vítima... Gelo, descanso num sofázinho muito confortável e um ben-u-ron para suportar melhor as dores! Como se não bastasse, até me ofereceram boleia ao colo... :p Esperam-se agora candidatos a massagistas! :)

Obrigada ao Nuninho e à Ana que são uns amigos sem igual!