sábado, dezembro 31, 2005

Lost in Translation

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Just Like Honey


Listen to the girl
As she takes on half the world
Moving up and so alive
In her honey dripping beehive
Beehive
It's good, so good, it's so good
So good

Walking back to you
Is the hardest thing that
I can do
That I can do for you
For you

I'll be your plastic toy
I'll be your plastic toy
For you

Eating up the scum
Is the hardest thing for
Me to do

Just like honey


Porque não me canso de o ver vezes sem conta! ;) Filme excelente e banda sonora igualmente deliciosa... Caso para dizer: Just Like Honey!!!

terça-feira, dezembro 27, 2005

It's all about a boy!!!

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Silent Sigh


Come see what we all talk about
People moving to the moon
Stop baby don't go stop here
Never stop living here
Till it eats the heart from your soul
Keeps down the sound of your
Silent sigh
Silent sigh, silent sigh silent sigh
Keeps down all move me down
Could we love each other

Come see what we all talk about
People moving to the moon
Stop baby don't go stop here
Never stop living here
Till it eats the heart from your soul
Keeps down the sound of your
Silent sigh
Silent sigh, silent sigh silent sigh
Keeps down all move me down
But don't love each other
No don't love each other
Never gonna be the same

sábado, dezembro 24, 2005

Feliz Natal!!!

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Feliz Natal a todos!
Muita Paz, Saúde, Amor, prendinhas e...chocolatinhos, claro!!!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Pop Art

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A arte...um produto industrializado?!

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo experimentou mudanças económicas poderosas que se repercutiram no comportamento social e individual. As trocas comerciais entre as nações intensificaram-se, a economia passou a ser dominada pelas grandes organizações e a influência americana tornou-se quase universal.

A arte também passou a ser influenciada pelos símbolos visuais próprios da publicidade, da fotografia, das histórias em quadrinhos e do cinema. Surgia a pop art e Andy Warhol tornou-se no seu maior expoente. É, então, o registro do ambiente visual da sociedade capitalista que havia sido menosprezado pelos representantes da "cultura académica".

Em reacção ao subjetivismo da arte abstracta, a pop art é uma ironia ao mundo capitalista e ao seu modo de produção. Ao trazer para as artes materiais que fazem parte do quotidiano das grandes cidades, este movimento rompe as barreiras entre a arte e o dia-a-dia. Embora pop art signifique "arte popular", não há aí referência à produção artística do povo, mas à produção em massa, o que confere à obra um carácter de produto de consumo.


Pop Art X Dadaísmo

A arte pop identifica uma supremacia económica americana que surgia fortemente naquela ocasião, presente na publicidade que garantia uma grande penetração dos produtos americanos em todo o mundo, incluindo aí a música e o cinema. Andy Warhol tornou-se símbolo desse novo estilo que ajudou a glorificar ao mesmo tempo que ironizava a massificação.

Ao contrário do Dadaísmo de Marcel Duchamp, a pop art não é motivada pelo desprezo ou animosidade contra a civilização actual; considerada a cultura comercial como matéria-prima, uma fonte inesgotável de material pictórico, mais do que um mal a ser combatido. A pop art apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. Ela proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmistificando, já que utilizava objetos próprios delas, a arte para poucos.

São famosas obras da pop art os trabalhos de Andy Warhol em serigrafia sobre tela de embalagens de sopa em lata Campbell (1965) e de garrafas de Cola-Cola (1962). Em 1967, ele apropria-se da imagem da actriz norte-americana Marilyn Monroe que reproduz em sequência, sobre a qual aplica várias combinações de cores. Ao retratar Marilyn com a mesma lógica com que retrata a lata de sopa, Warhol quer mostrar que, em uma sociedade de massa, o mito é tão descartável quanto uma lata.


Warhol: a arte da reprodução mecânica

Andy Warhol mostrou a sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual. Suas polaróides têm como uma das temáticas os ídolos mundiais da música, do cinema, da televisão, do desporto e até da política, como Elvis Presley, Marilyn Monroe, Liza Minnelli, Pelé, Sylvester Stallone e Jimmy Carter. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade.

Da mesma forma, e usando, sobretudo, a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro. Produzidas na segunda metade da década de 70, as polaróides de Warhol desvelam risíveis momentos na vida das celebridades. Também constam da mostra nove auto-retratos, imagens de drag queens e composições envolvendo sapatos e ovos de Páscoa.

O tema central de Andy foi o retrato, principalmente de personalidades famosas do cinema e da política. Entretanto, o artista sempre fazia o retrato através de material fotográfico bem conhecido, usado como publicidade das personalidades. Mesmo em uma séria sobre animais e plantas, Andy jamais procurou aproximar-se dessas plantas e animais.

Warhol preparava os seus quadros, desenhos e pinturas, através de fotografias de revistas. Também supervalorizava detalhes, principalmente a boca nos retratos femininos, enaltecendo a sexualidade ao máximo. Em matéria de retratos, isso foi uma inovação e rapidamente o artista destacou-se, sendo cercado pelos famosos. Trouxe assim a fama para a sua vida, mas trafegou também no sentido oposto. Ao retratar os seus amigos, sempre através de fotografias que ele mesmo tirava para depois servir de modelo, terminava por levar a sua intimidade para a fama.

A arte de Warhol é pautada pela recriação do modo que se vê o mundo. As pessoas são recriadas, os animais são recriados, tudo para que o mundo de Andy possa se constituir como uma outra realidade. Nessa recriação o artista modifica a realidade que o inspirou, muda o que está ao redor, transformando o "mundo real" em seu mundo.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Florbela Espanca

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Os versos que te fiz

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

Poema de Florbela Espanca
Gravura de Artur Bual, para Florbela Espanca - 1996

domingo, dezembro 18, 2005

Corpse Bride

Conhecido pelos seus filmes com grande influência no horror e humor negro, o director Tim Burton assina mais um trabalho de animação stop-motion, a mesma técnica que utilizou no excelente O ESTRANHO MUNDO DE JACK, de 1993.
Desta vez, trata-se de CORPSE BRIDE e foi produzido por Tim Burton que divide a direcção com Mike Johnson.

O filme é baseado numa história do folclore Russo do século IXX. Numa época em que o anti-semitismo estava espalhado pela Europa, muitos dos seguidores desses ideais, espalhavam o terror entre os Judeus. A nossa Noiva Cadáver, foi vítima desse anti-semitismo. No caminho para o seu casamento, a Noiva é retirada da sua carruagem e assassinada pelos anti-semitas, isso para que a proliferação dos Judeus fosse mais uma vez evitada:

"Era uma vez um homem que vivia numa vila russa e estava prestes casar-se. Ele e o seu amigo resolveram fazer uma viagem até a vila onde sua noiva morava, que ficava a uns dois dias de distância. Os amigos embarcam na viagem, e resolvem levantar acampamento na margem de um rio. O jovem homem, que se iria casar, encontra um estranho graveto no chão que mais parecia o osso de um dedo. Ele e seu amigo começaram a fazer brincadeiras e piadas com o graveto e o noivo pegou seu anel de casamento e colocou no que parecia ser os restos mortais de um dedo. O jovem começou a dançar em volta do osso, cantando e dançando músicas judias de casamento e recitou todo o sacramento de um casamento enquanto seu amigo morria de rir.

Mas toda a alegria acabou de repente. O chão começou a tremer sob seus pés e o osso no chão deu lugar a um buraco de onde saiu uma estranha noiva, uma noiva viva. Ela havia sido uma noiva mas agora parecia mais um esqueleto amontoado com restos de pele, e ainda usava um velho vestido branco. Minhocas e teias de aranha agarraram o noivo e seu amigo.

Os dois jovens estavam presos. A noiva então anunciou aos dois amigos que que o jovem noivo havia colocado o anel no seu dedo, pronunciado os votos de casamento e feito danças cerimoniais, e que agora ela queria os seus direitos como noiva. Ao conseguirem libertar-se os dois amigos correram para a vila e foram procurar o rabino atrás de respostas para o que havia acontecido. Agora, a decisão dos rabinos decidiriam se os dois eram casados ou não."

A NOIVA CADÁVER contará com um bom elenco nas vozes das suas personagens principais. Helena Boham-Carter fará a voz da noiva (morta) e Jonny Depp será Victor. O elenco ainda conta com Ablberty Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Joanna Lumley e Emily Watson.
Jonny Depp parece combinar mesmo com o estilo de Tim Burton. A NOIVA CADÁVER será o quarto filme em que ambos trabalham juntos.

Um filme esquisito? Com certeza! A NOIVA CADÁVER promete ser mais um clássico saído diretamente das ideias do extravagante Tim Burton, para fazer o maior sucesso no mundo dos animados. A não perder!!! ;)

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Common People

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She came from Greece, she had a thirst for knowledge
She studied sculpture at Saint Martin's College
That's where I caught her eye
She told me that her Dad was loaded
I said "In that case I'll have rum and coca-cola
She said "fine"
And then in 30 seconds time she said
"I want to live like common people
I want to do whatever common people do
I want to sleep with common people
I want to sleep with common people like you"
Well what else could I do?
I said "I'll see what I can do"
I took her to a supermarket
I don't know why
but I had to start it somewhere
so it started there
I said "pretend you've got no money"
but she just laughed
and said "oh you're so funny"
I said "Yeah
Well I can't see anyone else smiling in here
Are you sure
you want to live like common people
you want to see whatever common people see
you want to sleep with common people
you want to sleep with common people like me?"
But she didn't understand
she just smiled and held my hand
Rent a flat above a shop
Cut your hair and get a job
Smoke some fags and play some pool
Pretend you never went to school
But still you'll never get it right
'cos when you're laid in bed at night
watching roaches climb the wall
if you called your dad he could stop it all
yeah
You'll never live like common people
You'll never do whatever common people do
You'll never fail like common people
You'll never watch your life slide out of view
and then dance and drink and screw
because there's nothing else to do
Sing along with the common people
Sing along and it might just get you through
Laugh along with the common people
Laugh along although they're laughing at you
and the stupid things that you do
because you think that poor is cool
Like a dog lying in a corner
they will bite you and never warn you
Look out
they'll tear your insides out
'cos everybody hates a tourist
especially one who thinks
it's all such a laugh
yeah and the chip stain's grease
will come out in the bath
You will never understand
how it feels to live your life
with no meaning or control
and with nowhere else to go
You are amazed that they exist
and they burn so bright
whilst you can only wonder why
Rent a flat above a shop
Cut your hair and get a job
Smoke some fags and play some pool
Pretend you never went to school
But still you'll never get it right
'cause when you're laid in bed at night
watching roaches climb the wall
if you called your dad he could stop it all
yeah
You'll never live like common people
You'll never do whatever common people do
You'll never fail like common people
You'll never watch your life slide out of view
and then dance and drink and screw
'because there's nothing else to do
I want to live with common people like you.....


p.s.: Obrigada ao Nuno que me mostrou esta verdadeira relíquia de imagens que ilustram a música Common People, Pulp. Um beijinho grande para ele!!!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

My Hero

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Holding Out For A Hero

Where have all the good men gone
And where are all the gods?
Where's the street-wise Hercules
To fight the rising odds?
Isn't there a white knight upon a fiery steed?
Late at night toss and turn and dream of what I need

I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life

Somewhere after midnight
In my wildest fantasy
Somewhere just beyond my reach
There's someone reaching back for me
Racing on the thunder and rising with the heat
It's gonna take a superman to sweep me off my feet

I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life

Up where the mountains meet the heavens above
Out where the lightning splits the sea
I would swear that there's someone somewhere
Watching me

Through the wind and the chill and the rain
And the storm and the flood
I can feel his approach
Like the fire in my blood

I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life

terça-feira, dezembro 13, 2005

Ana & Mafalda

Ana aka Mafalda porque:

- odeio a injustiça;
- detesto as absurdas convenções que ainda observamos todos os dias;
- atitudes racistas;
- inconformista mas com fé nas gerações vindouras;
- odeio guerra, armas nucleares e afins;
- paixões: paz, direitos humanos e democracia;
- detestava sopa quando era criança
- contestatária;
- ...


Quino e Mafalda

Uma criança que fala aquilo que pensa e por isso coloca os adultos em situação embaraçosa. Uma menina de opinião, com uma visão bastante crítica da realidade. Uma sonhadora. Uma contestatária.
Mafalda é tudo isso e um pouco mais. Em termos gerais, é apenas uma menina que vive na Argentina dos anos 1960, com pais normais de classe média, que vai à escola, possui alguns amigos com quem realiza as brincadeiras normais de toda criança e viaja com a família para a praia no período de férias. No entanto, ela é muito mais do que esta simples descrição pode passar. Acima de tudo, representa uma das personagens mais fascinantes que já apareceram nas histórias em quadrinhos latino-americanas, personificando a insatisfação frente a uma realidade social e económica que, mais do que respostas, apenas desperta perguntas e inquietações. Ainda assim, nesse sentido, é muito mais que uma criança que apresenta uma postura de adulto, como tantas outras que já surgiram nos quadrinhos: ela é a porta-voz de todas aquelas questões que os leitores das suas tiras gostariam de ter a coragem de colocar para o mundo, mas que nem sempre conseguem fazê-lo.


Os Protagonistas:


Os pais são os típicos representantes de uma classe média espezinhada. O pai, trabalhador de uma empresa de seguros, de pretensões modestas, amante da jardinagem e dedicado à família, é um dos alvos preferenciais da menina; a mãe, dona de casa, dedicada ao lar, atarefada com as tarefas quotidianas é, de uma certa forma, desprezada pela filha pela sua opção burguesa e sua submissão a um papel social que a menina abomina. É com eles que Mafalda tem os seus maiores embates, destacando-se a disputa pela aquisição de um aparelho de TV, sonho consumista a que o pai se opõe fortemente, mas ao qual tem que se dobrar devido às pressões da filha e de seus amigos – não ter televisão representava, à época, ser um pária na sociedade, ser encarado como um elemento estranho e deslocado. Neste caso, numa interessante inversão dos papéis definidos por Umberto Eco, era a menina a integrada e o pai o apocalíptico, gerando uma interessante discussão sobre o papel dos meios de comunicação de massa na sociedade contemporânea.

Felipe, morador do mesmo prédio e primeiro amigo de Mafalda, aparece na tira em 19 de Janeiro de 1965. É aquele com o qual Quino, seu criador, mais se identifica. Baseado em um seu amigo de infância, Felipe é sonhador, inseguro do futuro, apaixonado por Brigitte Bardot, a musa dos anos 60. Leitor entusiasmado das histórias em quadrinhos do Cavaleiro Solitário, acredita em tudo que lê nos jornais. Tem ideias grandiosas, que são sempre frustradas pelos amigos, o que invariavelmente o faz ficar amargurado. É o contraponto da protagonista.

Manolito aparece na tira em Março de 1965. É filho de Don Manolo, imigrante espanhol dono de uma mercearia, de quem herdou os traços fisionómicos e a vocação para o comércio. Seu grande sonho é crescer e ser dono de uma cadeia de supermercados. Materialista, caracteriza-se por sua brutalidade, pela descrença quanto às coisas do espírito – a ele não lhe agradam os Beatles, mito da geração jovem da década de 60 –, tendo uma visão prática do mundo. Admira os norte-americanos, pela sua riqueza, e está sempre imaginando formas de se tornar igual a eles (do que não se excluem artimanhas para fazer com que os amigos comprem mais coisas no armazém de seu pai...). Apesar de tudo, no entanto, é um trabalhador abnegado, o que não impede que em várias ocasiões demonstre, até mesmo de forma ingénua, uma grande capacidade de afeição pelas demais personagens da série.

Susanita surgiu no mesmo ano que Manolito. Susana Clotilde (ou Susana Beatriz) representa a mulher burguesa que almeja a tranquilidade de uma família bem constituída, filhos para criar, um marido para cuidar e amigas com quem passar as horas de enfado. Sempre fora da realidade, busca não se envolver com os problemas do mundo e prende-se às aparências. Enquanto Mafalda personifica a mulher liberal que tenta colocar-se em pé de igualdade em relação ao sexo oposto, Susanita é a visão tradicional do papel da mulher na sociedade, o que ocasiona frequente atrito entre as duas meninas.

Miguelito é a inocência personificada, alguém sempre em busca de compreender o mundo que o cerca e admirado pelas contradições existentes, que não sabe explicar. Surge repentinamente na praia, durante uma viagem de férias da protagonista, agregando-se posteriormente à tira.

Guille é o irmão menor de Mafalda, nascido formalmente em Março de 1968, quando a tira se transferiu do jornal El Mundo para o semanário Siete Dias. Assume um pouco da relação contestatária da irmã em relação aos pais, passando a ser o transgressor das normas familiares. Mais do que um representante do embate pais e filhos, personifica, em sua relação com Mafalda, a diferença de opiniões entre gerações separadas por apenas alguns anos. A partir do aparecimento do irmão, a protagonista passa a representar a crítica ao mundo constituído, fechando-se na reflexão abstracta, na visão realista da sociedade em que vive, e assumindo uma agudeza conceitual à qual não cabem mais os sorrisos e brincadeiras que eram tão comuns antes de se tornar a filha mais velha. Nesse novo papel, ela tem que responder ao irmão as mesmas perguntas embaraçosas que antes colocava aos pais.

Libertad é a última a aparecer na tira, surgindo em Fevereiro de 1970. Também conhece Mafalda durante suas férias de verão. Filha de pais hippies, pequena e contestatária, é uma metáfora da própria Liberdade, um permanente incómodo para todos. Dona de desfaçatez surpreendente, é a válvula de escape para idéias que estavam no ar durante o período e às quais Mafalda não podia dar voz, devido a suas características esquemáticas.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Onde estás?

Era uma vez uma princesa muito bela e um príncipe muito formoso. A princesa beija o princípe e este transforma-se em sapo. Não teria ela de beijar o sapo para que este desse lugar ao seu eterno amado, como nos contos de fadas?! Ondes estás tu...sapo?!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Eternamente

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"E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas do céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbodas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas no tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, comtemplámo-nos longamente, como quem se descobre, como quem se recolhe, como quem se esconde. Foi assim que vi desfilar os anos, as paredes escurecendo, um pó de tijolo pousando entre as páginas dos mesmos livros que fui lendo, repetidamente. Heathcliff e Catarina Linton destroçados outra vez pela minúcia do tempo.
Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? Ulisses não voltará a Ítaca e Penélope alguma desfará de noite a teia que te teceste.

E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu.

E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.

Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre."


Hoje decidi partilhar um conto, do livro "Não te deixarei morrer,David Crockett", de Miguel Sousa Tavares. Chama-se Eternamente e acho que é fácil de descobrir o porquê desta escolha! Simplesmente LINDO!!!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Carta ao Pai Natal

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Longe vai o tempo, em que era criança e escrevia a minha cartinha ao simpático velhinho de barbinhas brancas... E é incrível, como o tempo passa e o senhor continua em forma, a distribuir com muito cuidado e afinco, os tão esperados presentes de Natal, aos meninos e meninas de todo o mundo, que se portaram bem e...cumpriram com todas as obrigações de bons meninos e boas meninas! Ah pois é!!! ;)
Até aqui, tudo bem... Mas nas minhas navegações pelo fantástico mundo da web, encontro esta peculiar cartinha que me deixou sem palavras e com umas dorzitas de barriga jeitosas, tais foram as gargalhadas que dei enquanto a lia!

Por isso aqui vai! Hope you enjoy and...laugh...it's the best thing you can do!!!


Querido Pai Natal,

Chamo-me André e tenho 6 anos.

Neste Natal eu queria um presente muito especial. Eu queria que em todo o mundo houvesse Paz e Amor, mas sei bem que isso é impossível de realizar ... pelo menos aqui no meu prédio.

Sempre que a vizinha do 5.º Dto. faz amor, não há paz na vizinhança. Principalmente quando o marido sai em viagem de negócios. Nesses dias, se calhar a televisão dela fica avariada, porque está sempre a passar aquele anúncio do shampoo Herbal Essences. "Ò ... sim, sim ... siiiim".

Bem! Como a Paz e o Amor estão riscados da lista, vou ter que optar pelos bens materiais, coisa que eu não queria nada ...

Para começar, eu queria que este ano a minha prenda de Natal fosse um brinquedo muito divertido que vi na televisão. Não, não é nenhuma daquelas mariquices dos Action Man, Homem Aranha ou tartarugas Ninja. O que eu queria mesmo era uma coisa que vi ontem no Telejornal!

Pai Natal, eu queria muito que me trouxesses um brinquedo que se chama RPG 7, que é um lança-granadas igualzinho aqueles que os terroristas usam para rebentar com os americanos no Iraque.

Mas preciso muito que me entregues o brinquedo já este fim-de-semana para eu fazer uma surpresa aos meus coleguinhas lá da escola. Eles vão estar todos num festa de Natal, em casa Henrique, que é filho de um grande empresário têxtil, que não paga salários há 3 meses, contrata capangas para dar porrada nos sindicalistas e tem uma amante no prédio onde mora a minha avó.

Todos os coleguinhas da minha sala foram convidados para a festa menos eu, porque o Henrique diz que o meu pai é teso e as minhas roupas parece que foram compradas na Feira de Carcavelos, em segunda mão, aos ciganos.

Eu sei que desfazer os coleguinhas da 1.ª classe com tiros de bazuca não é uma coisa muito bonita. Mas no ano passado fartei-me de fazer boas acções e a prenda que me trouxeste foi a porcaria de um carro telecomandado comprado aos marroquinos, que se avariou logo no primeiro dia.

Bem, pelo menos sempre deu para aproveitar as pilhas para o vibrador da minha mãe!

E por falar na minha mãe, neste Natal queria que ela tivesse uma prenda muito bonita ... pelo que percebi, ela precisa muito de uma padaria mesmo aqui à porta do prédio, porque há mais de um mês que não vê o padeiro .. pelo menos foi isso que ela contou no outro dia, quando estava ao telemóvel com um amiguinho que se chama Robertão.

Realmente, a minha mãezinha deve ter muita fome, porque depois começou a dizer ao amiguinho que lhe vai morder o cacete e, a seguir, vai pô-lo a aquecer na fornalha dela até ele ficar grande ... o que acho esquisito, porque eu aprendi na escola que, sem fermento o cacete não cresce!

Quanto ao meu pai, a prenda dele é uma daquelas máquinas que vendem tabaco nos cafés ... é para ter cá em casa porque sempre que o meu pai sai à noite para comprar tabaco só volta no dia seguinte.

Quando chega a casa diz que correu os cafés todos da zona e só conseguiu encontrar a marca de cigarros que ele fuma em Bragança, na boite A Bruxa.

É engraçado! A minha mãe diz que ele vai a Bragança à procura da brasileira, mas que eu saiba isso não é uma marca de cigarros ... é uma marca de café! Depois a minha mãe começa a falar em marcas de baton na camisa e aí é que eu fico sem perceber nada!

Olha, mas se não arranjares a máquina, tenta ao menos passar pelo Ribatejo e trazer um par de cornos. Pelo menos a minha mãe está sempre a dizer que era disso que ele precisava.

Para o meu irmão queria uma coisa mais simples. Basta trazeres umas roupinhas modernas, dessas que os adolescentes usam. Pelo que percebi, ele não deve gostar nada das roupas que os meus pais lhe compram, porque todas as noites, quando sai com os amigos, leva os vestidos da minha mãe.

Diz o meu tio Zé que até dá pena ver o meu mano ali na zona do Parque Eduardo VII, com as perninhas ao frio e com aquelas botas altas tão desconfortáveis. Deve-lhe doer muito os pés porque leva a noite inteira a pedir boleia aos carros que passam ...

E pronto, acho que já está tudo! Agora vê lá, não te esqueças de nada, se não sou bem capaz de fazer um telefonema anónimo a uma certa jornalista do Expresso a contar um episódio engraçado que me aconteceu no ano passado, quando te fui visitar ali a um Shopping, no Saldanha.

Ela vai gostar muito de saber que, quando eu estava no teu colo, aproveitaste para me apalpar o rabo e convidares-me para brincar aos trenós e aos comboinhos na tua casa, em Elvas!

É claro que ambos sabemos que isso não foi verdade! O que aconteceu realmente foi que te apanhei a fumar droga e a veres revistas pornográficas na casa de banho, mas sabes como é a memória das crianças ... vemos muitos desenhos animados e, por isso, estamos sempre a confundir as coisas. E convenhamos que o nome "Bibi da Lapónia" te assenta como uma luva.

Por isso, ou me trazes as prendas todas que te pedi ou é bom que comeces a procurar um bom advogado. E não te esqueças de comprar muitas embalagens de gel de banho. É que ali na prisão de Custóias dizem que é perigoso tomar duche com sabonete ... quando ele cai ao chão se te baixares para o apanhar corres o risco de ... ui ...

Pelo menos é garantido que vais ter um Bom Natal e um Feliz Ânus Novo!

Beijinhos,
Andrézinho

segunda-feira, dezembro 05, 2005

So Sweet!...

Porquê Cotton Candy?!

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Porque gosto, porque é doce e traz recordações de uma infância muito Feliz!
Todos temos de soltar a criança que há dentro de nós... E eu, costumo fazê-lo bastantes vezes!