Sabes que existe em mim, uma ternura desmedida pelas palavras. Talvez por isso eu tenha sempre palavras que ficam por dizer Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse Sufocarias o coração com todos os meus segredos; Segredos que foram meus… Poderiam ter sido teus… Nossos! Segredos que enterrarei nos braços do tempo… Segredos que confiei ao vento. Chamo-lhes Ecos da Alma…
Pois é assim que eles chegam até mim… Como ecos que pairam sobre o abismo do que um dia fomos.
Tough, you think you’ve got the stuff You’re telling me and anyone You’re hard enough
You don’t have to put up a fight You don’t have to always be right Let me take some of the punches For you tonight
Listen to me now I need to let you know You don’t have to go it alone
And it’s you when I look in the mirror And it’s you when I don’t pick up the phone Sometimes you can’t make it on your own
We fight all the time You and I… that’s alright We’re the same soul I don’t need… I don’t need to hear you say That if we weren’t so alike You’d like me a whole lot more
Listen to me now I need to let you know You don’t have to go it alone
And it’s you when I look in the mirror And it’s you when I don’t pick up the phone Sometimes you can’t make it on your own
I know that we don’t talk I’m sick of it all Can - you - hear - me – when – I - Sing, you’re the reason I sing You’re the reason why the opera is in me…
Where are we now? I’ve got to let you know A house still doesn’t make a home Don’t leave me here alone...
And it’s you when I look in the mirror And it’s you that makes it hard to let go Sometimes you can’t make it on your own Sometimes you can’t make it The best you can do is to fake it Sometimes you can’t make it on your own
Espuma que vem, espuma que vai... Beija-me os pés, humedece-me a alma e entranha-se na pele com o cheiro da maresia. Mar agitado que me enche os olhos de sal, que me enche da cor do céu nas águas reflectida. Caminho ao sabor das ondas que se desfazem diante de mim. Percorro com o olhar a fileira multicolor de pedrinhas modeladas por baixo daquele manto transparente. Tento sempre encontrar a pedra perfeita, a mais bonita, aquela que reúna em perfeita harmonia cor, forma e textura. Acabo por guardar mais do que uma e nunca me dou por satisfeita. Caminho junto ao mar para sentir as ondas, a espuma fria e suave, apanhar pedrinhas é apenas um pretexto. Atrás de mim o trilho das pegadas logo será desfeito e ficará apenas um rasto ténue de quem por ali passou. Gosto de ver como as ondas recuam mas logo ganham nova força para voltarem a encher o areal. Não é assim que todos fazemos? Recuamos dois ou três passos e ganhamos balanço para o que há-de vir, respiramos fundo e tentamos avançar sem medo.
E quem sabe se quando a maré vazar não encontramos a pedra perfeita?
Num desencontro que não chegou a sê-lo, vi-te num primeiro olhar. Retribuíste com a lentidão que o momento merecia, e os indícios bailaram num sopro oscilante que pressentíamos nosso. Depois abandonaste-me por instantes, voltando a mim mais tarde, agora certa de que era eu quem procuravas. O sorriso dos teus olhos tingiu-me então o coração em tonalidades de um castanho profundamente teu, enquanto eu, imóvel, permanecia contigo naquela primeira fracção de instante em que ainda sem saberes já te olhava.
Para ti, que me fazes dançar, sonhar, cantar... e com vontade de seguir em frente e tentar de novo!
Tenho-te na escrita. Saboreio-te em cada palavra e percebo-te no dobrar de cada folha, naquela ânsia secreta de te querer mais, de não pertender virgular emoções para que deste modo elas vivam dentro de mim sempre!
atraí o silêncio para uma emboscada que não usei. antes deixei que me cobrisse que me completasse. shhhh... não fales... aprecia este momento porque momentos assim escasseiam. não estragues tudo com essas palavras que magoam a solidão. dá-me a honra desta dança, do silêncio que agora perturba. quão belo é o silêncio... quão mais belas são as coisas no silêncio...
podia dizer que te amo, que te quero ter só para mim neste mar de ausência de tudo que não se sinta, mas para quê? porquê? numa pequena luz de pensamento que se acende sei que o silêncio vale mais que tudo, que as palavras, por exemplo.
shhhh... não tentes dizer nada. abtém-te de fazer algo que não seja ouvir e dançar e sentir o silêncio. deixa que ele se acomode, permite que o amor entre nós nasça neste canto do mundo abençoado por algo ou alguém.
agora que sentes, deixa-me beijar o teu corpo nu. abraça-me e permite que alcance a eternidade em teus braços enquanto ardemos nas chamas deste momento. deixa-nos voltar às cinzas de onde viemos para só assim podermos dançar o infinito silêncio.
é tarde. o prédio em silêncio de luzes e sons já pouco tem para dar. entra sem fazer barulho, ainda que a espere uma casa vazia. atira a mala e o casaco para cima da cama. agarra no caderno que tem em cima da mesinha de cabeceira. senta-se no chão e escreve.apetecia-me um beijo. apetecia-me olhar-te nos olhos que sorriem sempre tanto. apetecia-me olhar-te nos olhos, aproximar-me de ti devagarinho, sentir-te aproximar de mim também. e beijar-te. devagar. suavemente. os meus lábios perdidos nos teus. as tuas mãos pelo meu pescoço, pelo meu cabelo, por mim. doce. um beijo doce. apetecia-me perder a noção do tempo no tempo dos teus beijos. sentir-te a boca tranquila, urgente. sentir-te a língua segura, sincopada. apetecia-me desmaterializar-me aqui. nos teus beijos. num beijo tu. nós. o primeiro. de tantos. num tempo de beijos e sorrisos e palavras ditas devagar. num tempo de sintonias e de compassos. num tempo sem guerras, sem lapsos, sem medos, sem fúrias. num tempo nosso. a começar. e depois sentir-te a língua que procura a minha e a abraça. sentir-te a língua que me arrefece os lábios. sentir-te a respiração cortada, suspensa, e depois largada como num suspiro. sentir-te morder-me o lábio e dares-me mais um beijo quente. um beijo urgente. com todo o tempo que falta. com todo o tempo que temos. para beijos, palavras, sorrisos e silêncios. para o que é e para o que pode ser. apetecia-me o toque sublime das portas entreabertas, porém quietas. das portas que abrimos devagar para não acordar fantasmas de que não precisamos aqui. apetecia-me dizer que te quero os beijos, as palavras, os sorrisos e os silêncios. que te quero inteiro, com o passado que trazes, com as feridas saradas e as outras ainda por lamber. que te quero por seres tu, com tudo o que te constrói. e apetecia-me beijar-te devagar. sentir-me perder-me na amplitude dos teus beijos. sentir-me encontrar tudo o que trazes escondido e me faz sorrir. hoje era um dia bom para nos silenciarmos com beijos no entremeio dos sorrisos. para nos encantarmos e deixarmos que o desconhecido aconteça...
hoje é um dia triste. o dia em que te percebo longe. o dia em que os sorrisos são só sorrisos, em que as palavras querem dizer exactamente o que dizem, em que não há significados ocultos nem mensagens encriptadas. o dia em que sei que não tem que ser.
sorri por dentro no dia em que me percebi apaixonada por ti, sabes? de repente estava à tua frente, eu, tu, um café e uma garrafa de água. e eu a tremer. e eu sem saber o que dizer a seguir, completamente petrificada, completamente sem rede. eu, que tenho sempre o controlo das minhas emoções, dei por mim despida. frágil, vulnerável. apaixonada.
dei por mim num enigma complicado de resolver. se não fossemos amigos era tão mais fácil, não era? não precisava de proteger coisa nenhuma, podia mostrar-te o que sentia e seguir em frente depois disso. mas somos amigos. e nunca quis que achasses que o facto de estar apaixonada por ti mudava o que quer que fosse na nossa amizade. não quis que pensasses que era melhor afastares-te por assim me custar menos. não custa nem menos nem mais. consigo separar as águas e perceber onde começa uma coisa e acaba outra.
se não to disse antes foi apenas por não querer que te afastes. não preciso que me protejas, nem nada disso. não quero que mudes as tuas atitudes. acontece que isto começa a ser complicado de gerir. começa a ser urgente dizer-te o óbvio. aliás, acho que tu já sabes...
... estou apaixonada por ti. e hoje é um dia triste.