quarta-feira, janeiro 20, 2010

Estações

Ainda está a chover. O verde que a chuva afoga mantém a esperança de que nenhuma estação do ano dura para sempre. Tal como a vida que nelas se vai enrolando e desenrolando, porque nada se perde, tudo se transforma. E não somos mais do que apenas isso - vento, chuva e tempo quente alternados, partes de um todo. E mesmo que a chuva nos incomode, faz parte do ciclo que nos descreve e nos inscreve a vida, passo a passo, como lágrimas entre o céu e a terra. É preciso acreditar que o verde não acaba e que a chuva é o princípio de tudo o que vem a seguir, mesmo quando o céu cinzento nos desanima. O conforto é um intervalo, sem garantia vitalícia. Somos, intrinsecamente, Primavera, Verão, Outono e Inverno. Porque a vida é um ano inteiro e não apenas dias combinados. Somos as estações que passam, que aquecem e que esfriam corações. Um dia serás o verde da Primavera que há-de vir, o sol de um Verão que me aquece, as cores de um Outono que me pinta os dias e o Inverno de neve branca e pura que me faz sonhar.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

De que são feitos os teus dias?!

De que matéria é feita a corrente que nos prende a alguém contra todas as probabilidades de segurar o que foi desfeito? Há elos invisíveis que o tempo não corrói e que a distância não consegue abrir. A minha verdade é diferente da tua. A tua verdade não me inclui para coisa nenhuma, a tua verdade desconsidera-me e segura-te no teu caminho. Compreendo a tua escolha, mas isso é tão pouco quando me pergunto 'afinal o que compreendeste de mim?' A minha verdade alguma vez te fez perder as horas da noite a pensar que tenho alguma razão ainda que não concordes comigo? Compreendes o que sinto? Não podes - adivinho-te resposta. Não podes porque eu não existo no teu aqui e agora, sou um resto de ontem e ontem já não existe também e não se perde tempo a compreender o que é passado e já não tem importância, o que está arrumado numa qualquer prateleira invisível do armário que guardas interiormente, fechado a cadeado. A minha verdade é feita da matéria das correntes que me prendem ainda a ti. Incomoda-te o que eu sinto, eu sei, mas sinto. Não tenho nada a ganhar ou a perder. Seja como for, não te vou atrapalhar com o meu querer, importa-me apenas que, mesmo longe, sejas feliz. Conseguiste cumprir o que a tua razão impera? 'O teu coração e o teu corpo já desistiram de mim' como querias? Gostava tanto de saber como preenches, por dentro, os teus dias...