sexta-feira, julho 27, 2007

The meaning of...

Sabes, há palavras que não sei dizer mesmo na língua que melhor conheço. Há palavras que tenho dificuldade em utilizar porque não me dizem nada e é suposto as palavras dizerem sempre alguma coisa. Há palavras que nunca me lembro de dizer porque nunca me fizeram falta para me fazer ouvir. Há palavras que utilizo quando valia mais estar calada. Há palavras que ficam a meio porque mudei de ideias enquanto falava. Há palavras que não sei o que querem dizer e, mesmo assim, teimo em dar-lhes um sentido único. Há palavras que me escapam e que nunca mais voltam ao mesmo sítio. Há palavras que não sei escrever, mas conheço-lhes o significado. Há palavras que confundo e, por isso, hesito e apresso-me a explicá-las por sinónimos. Há palavras que digo sem querer e sou mal interpretada. Há palavras que quero dizer e que me faltam. Há palavras que digo sempre da mesma maneira e nem sempre são ouvidas com a mesma intenção. Há palavras que escrevo e que não digo por ter receio de redundâncias. Há palavras que sinto intensamente e não sei dizê-las com eloquência. Há palavras, muitas e eu conheço tão poucas! E há uma palavra que aprendi contigo e sei senti-la, dizê-la e escrevê-la correctamente: 'Amo-te'. É uma forma do verbo 'amar' que eu só sei conjugar no Infinito quando penso em ti.

Renascer... das cinzas

...sempre que algo se me acaba, fico com vontade de começar de novo, qualquer coisa.
Este compromisso da escrita parece-me bem mais simples do que aquele que se acabou.
A ver vamos o que lhe posso dar.
... e o que receberei de volta.
Em tudo, mais, certamente!
Olé!

sábado, julho 07, 2007




Tenho saudades de mim nos teus sonhos.



sexta-feira, julho 06, 2007

O rapaz que não sabia sonhar ( história de um amor sem fim )

Era uma vez um rapaz que não sabia sonhar. O sonho tinha-lhe morrido nas mãos, tinha-lhe escorrido pelos dedos, tinha criado um lago de paz e serenidade onde ele nunca se sabia banhar.
Nesse lago surgiram sereias, pequenas fadas, homens sábios, crianças nuas, mulheres tolas, unicórnios e sorrisos.
Só o rapaz que não sabia sonhar não via que o sonho era Mãe daquele cenário tão único.
Sentou-se a ver a sentir o Sol queimar-lhe a pele branca e os dedos percorriam a areia da praia, da praia que era tocada pelo lago do seu sonho.
E ele não o sentia.
Então um dia choveu. Choveu muito e o rapaz-que-não-sabia-sonhar não se quis abrigar da chuva. Quis ficar sentado numa rocha antiga e pintada de prata (mas ele não via a prata, só via a rocha) a ouvir o vento zangado. Nunca ninguém lhe disse que o vento estava zangado porque o rapaz-que-não-sabia-sonhar era seu neto afastado (nas linhas da hereditariedade ninguém nota o trabalho moroso da natureza para tornar o avô vento num rapaz branco e que não sabe sonhar) e então rugia, rugia enlouquecido de dor e mágoa pela definitiva perda do sorriso desse seu neto tão belo, tão branco, tão só, tão sem sonho.
Quando a chuva terminou o rapaz deitou-se devagarinho na lama, criou raízes e tornou-se num carvalho imponente e grande. Os seus ramos cresceram mais altos que todos os outros, mais longe que todos os outros, mais perfumados que todos os outros.
As folhas cresceram, depois delas pequeninas flores brancas e em seguida suculentos frutos de pele lustrosa e sabor ácido.
Ao seu lado o lago morria. O lago que nascera de sonhos, de sorrisos, de inocências resgatadas e eternizadas nas águas azuis e serenas.
Os anos passaram. O Sol brilhava intensamente no lago dos sonhos do rapaz-que-não-sabia-sonhar. As fadas voaram, o unicórnio tornou-se decadente e quebrado, as sereias asfixiaram queimadas pelo sol e choraram porque nunca mais a chuva viera abençoar de vida o lago de Sonho.
Só ficaram as águas serenas e tristes e o carvalho já antigo, já rugoso, já cansado de estar ali de pé a ver o tempo correr.
Até que numa tarde de primavera, o carvalho-cansado-antigo-rugoso que fora o rapaz-que-não-sabia-sonhar, sentiu a seiva subir pelo tronco e sairem por frestas que se abriram na casca grossa, descerem atraídas pela força da gravidade, como lágrimas leitosas e puras.
O vento rugiu e a chuva voltou a cair no vale, numa torrente que parecia nunca mais parar... O velho carvalho gemeu e as suas raízes libertaram-se do chão e fizeram-no cair, desamparado na terra que tantos anos o tinha alimentado e protegido.
Não conseguia mais suportar a solidão, nem os pássaros, nem os animais que alimentava conseguiam dar sentido à sua existência . A chuva continuava a sulcar a terra furiosamente. O vendaval continuou por três noites.
No final da terceira noite, a chuva finalmente começou a ceder. O ar foi cortado por um choro e abrigado nas raízes do velho carvalho estava uma criança, um bébé pequeno, branco e magro, um ar de anjo nas bochechinhas rosadas.
Um homem resgatou-o. Um homem bom e pobre que o criou entre bolotas, sorrisos, sonhos e lendas.
Ele cresceu e tornou-se um rapaz bonito e saudável. Mas um dia acordou... Acordou e descobriu que não sabia sonhar.
Então desceu, banhou-se no lago de águas paradas e podres e quando saiu deitou-se ao lado do carvalho, as mãos a percorrerem o tronco musgoso.
Deitou-se e ficou ali muitos, muitos anos. O vento nunca mais tocou o carvalho cansado e o seu habitante febril.
Dizem que ele ainda lá está, deitado no carvalho, a alimentá-lo das suas lágrimas e pedaços de sonho que nunca soube sonhar.
As fadas vão afagá-lo de vez em quando, dizem os habitantes daquela vila. Ele não as sente, porque só sabe chorar e afagar o carvalho antigo.
O homem pobre e bom, esse enlouqueceu em busca do rapaz-que-encontrara-numa-noite-de-chuva e que era toda a sua vida e o seu sentido.
Entregou-se ao vento, num sacríficio último, e nas noites de Lua é ainda possível ouvi-lo a chorar e gritar: "filho...filho eu ensino-te a sonhar...vem...eu ensino-te!".
Mas o rapaz não o ouve. O rapaz só ouve o vazio. O rapaz é o ser mais belo do vale. É um anjo que caíu do céu, dizem as gentes da terra. É assombrado pela dor de viver, dizem as velhotas enquanto bordam. É filho das fadas, é amigo dos deuses, murmuram à noite quando embalam as crianças.
O rapaz... nunca soube sonhar porque a sua pele era de sonho e ele não viu, garantem as mulheres.
Eu digo que o rapaz era docemente humano. E por isso morreu por um sonho que não soube sonhar. Sem saber que a vontade é o sonho... O sonho que nascia na sua alma e brotava dos olhos em dias de vento e mar.

Medos

As pessoas nunca podem amar demais. Nunca podem sofrer demais.
Nem sorrir demais.
Senão são inocentes, patéticas, aborrecidas, sem senso, sem limites.
Os limites são uma barreira eterna que nos impõe assim que as flores das casas se tornam rubras (inicialmente eram brancas).
Depois aguardam o nosso primeiro deslize para de novo nos provarem docilmente (aquela doçura dos que nos acham perdidos para as morais e bons costumes) e dizem-nos "a falta de limites é uma linha demasiado ténue que separa a demência da vulgaridade... por isso recompõe-te e mostra-nos que aprendeste bem a lição".
E de novo voltam às suas posições nas sombras a farejar. A farejar a nossa imensidão de sentimentos.
Eles podem existir. Desde que correctamente comedidos. Desde que lineares. Desde que sejam todos eles aprendidos na escola e repetidos até à exaustão como repetimos as tabuadas e as formas verbais.
O único sentimento que podemos sentir sem limites é o medo.
Porque o medo é o ópio desses espectros que se denominam humanos.
O medo do amanhã. O medo da morte. O medo das palavras. O medo dos silêncios. O medo de mim e da minha loucura de ser tão pouco limitada.
"És demasiado..." - dizem-me eles com as bocas babosas.
"És... és... és..." e catalogam-me, reproduzem-me, despojam-me da minha unicidade.
Mas eu não sou... sorrio eu. Eu FINJO fingir e assim acalmo-lhes os anseios e os dedos em riste.
Quero ser ilimitada. Quero ser intensa. Quero ser louca. Quero ser tudo. Quero ser nada. Quero a imensidão do espaço, quero o alternar constante do tempo.
QUERO. E não tenho medo de o admitir.
Só tenho medo do medo de sermos nós.
E eu serei eu. Mesmo quando finjo ser outra.

A Arte

A arte é a forma mais perfeita que temos de capturar o divino.
De procurar a verdade. De atingir o infinito.
De sabermos onde estamos, para onde vamos, de onde viémos.

Sobretudo é a forma mais perfeita que tenho de me capturar a mim.

quinta-feira, julho 05, 2007

Acordar de um dia de Verão...



Juxéxito, bora dançar?! ;)