Está tudo arrumado e no seu lugar. O que sou, sempre fui e não tenho de explicar. Erros meus, decisões felizes, amores ardentes e corações desfeitos, ontem, hoje e sempre. Não serei outra, a essência não se despe, a alma não se pendura. Sou este pouco para alguns e este tanto para outros, pouco importa, não sei fingir o que não sou. O que sou aceito dos pés à cabeça, não ponho nada de lado. Está tudo arrumado, o que já vivi e morri e o que aprendi a renascer. Não carrego peso para além do que preciso, nem prometo o que não tenho. Não digo que sim quando sinto não, nem me engano a mim quando os outros me enganam. Sou muita coisa ao mesmo tempo mas não me baralho por dentro. Sei o que não sou capaz e assumo sem vergonha. Acredito na vida que aprendi e confio no que percebo de boa fé nos outros. Não tenho tempo para me entreter com equívocos nem sucedâneos, não quero gente à minha volta só pela companhia. Não tenho medo de estar comigo a sós porque nada é pior do que sentir-me mal acompanhada. Está tudo arrumado e no seu lugar devido.
quinta-feira, setembro 01, 2011
Intemporalidade
Com calma, pensei eu... Porque o futuro é uma floresta densa, virgem e livre e não um caminho plano, onde o horizonte se adivinha e tudo nos surge sem sobressaltos porque só caminhamos pelo que nos é conhecido. Porque o futuro é uma missão, um compromisso com a vida, o futuro é caminhar livre sobre todo o tipo de terreno com a certeza de que vamos em frente, mesmo quando não fazemos ideia onde vamos, mas sentimos o prazer da caminhada. Assim, o futuro é o destino de um 'tu e eu' como nós. São os passos que damos lado a lado, o que tu andas e que eu ando também, o que eu avanço e tu avanças também que nos constrói o tempo, passado, presente e futuro. O nosso futuro é feito do que ontem conquistámos, do que queremos hoje e do que caminharemos amanhã. O futuro é essa vontade que nos embrulha um no outro para chegarmos ao mesmo tempo onde quer que vamos. E porque ninguém sabe realmente onde consegue chegar, porque o horizonte é uma miragem no coração de uma floresta, nós caminhamos convictos de que o mais importante não é a chegada mas a viagem que fazemos juntos. Porque nos cumprimos na partilha da paisagem, porque o futuro é um acto de fé e uma viagem de esperança. Porque o Amor é uma viagem sem fim, sem distância nem tempo. A intemporalidade do teu primeiro beijo é, para mim, uma visão luminosa de futuro.
quinta-feira, agosto 25, 2011
Uma página de infinito
Sabes, o tempo passa não passando quando tudo é mais por dentro. Por dentro sinto-te à velocidade do sangue que me passeia a vida pelo corpo. Do coração à alma a distância é pouca, apenas o intervalo do que seguramos nos braços com intenção de infinito. E se o infinito me cabe nos braços em que te embrulho, imagina a certeza com que nos vivo para sempre e mais um dia no coração. O tempo não passa quando tudo é mais do que infinitamente. O tempo não existe no calendário do Amor. Os dias são do tamanho do que sentimos por dentro. Os meus dias são feitos desse sentir-te tão completamente que só me apercebo das horas quando se tornam infindáveis pela falta que me fazes. Porque me fazes falta sempre, porque sofro de saudades que nem sempre justifico. Porque te quero na vida comigo e em mim, sem tempo nem lugar definido senão na transcendência de um sempre e em toda a parte.
sábado, agosto 20, 2011
The chemistry between us
Vamos imaginar que é apenas um alcalóide natural, chamado Feniletilamina, que põe em acção a dopanima, a oxitocina, a norepinefrina, a serotonina e todas as outras 'inas' que desconheço mas que acontecem em mim durante um beijo teu. Vamos imaginar que é apenas bioquímica e que o estado de paixão não é mais do que a combinação de diversas substâncias químicas misturadas, sem esquecer as feromonas. Então por que é que os teus beijos são diferentes de todos os outros beijos que experimentei na minha vida? Por que é que os teus braços são mais à minha medida do que todos os abraços que me embrulharam antes? Por que é que só a tua pele é a pele da minha pele? E por que é o teu cheiro é único e inconfundível? Por que é que os teus fluxos de prazer me enlouquecem de sede como se não existisse outra água nem nunca tivesse existido? A endorfina que em mim se liberta quando as minhas e as tuas outras 'inas' se combinam é quase inexplicável, não fosse a ciência dar-lhe nome e um nexo causal. Hoje, recordando o estado de sítio dos nossos lençóis de ontem, lembrei-me de pensar cientificamente no assunto. Não cheguei a uma conclusão diferente daquela que, no estremecimento do prazer, te segredei, ao ouvido: 'ADORO-TE'.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Estações
Ainda está a chover. O verde que a chuva afoga mantém a esperança de que nenhuma estação do ano dura para sempre. Tal como a vida que nelas se vai enrolando e desenrolando, porque nada se perde, tudo se transforma. E não somos mais do que apenas isso - vento, chuva e tempo quente alternados, partes de um todo. E mesmo que a chuva nos incomode, faz parte do ciclo que nos descreve e nos inscreve a vida, passo a passo, como lágrimas entre o céu e a terra. É preciso acreditar que o verde não acaba e que a chuva é o princípio de tudo o que vem a seguir, mesmo quando o céu cinzento nos desanima. O conforto é um intervalo, sem garantia vitalícia. Somos, intrinsecamente, Primavera, Verão, Outono e Inverno. Porque a vida é um ano inteiro e não apenas dias combinados. Somos as estações que passam, que aquecem e que esfriam corações. Um dia serás o verde da Primavera que há-de vir, o sol de um Verão que me aquece, as cores de um Outono que me pinta os dias e o Inverno de neve branca e pura que me faz sonhar.
segunda-feira, janeiro 04, 2010
De que são feitos os teus dias?!
De que matéria é feita a corrente que nos prende a alguém contra todas as probabilidades de segurar o que foi desfeito? Há elos invisíveis que o tempo não corrói e que a distância não consegue abrir. A minha verdade é diferente da tua. A tua verdade não me inclui para coisa nenhuma, a tua verdade desconsidera-me e segura-te no teu caminho. Compreendo a tua escolha, mas isso é tão pouco quando me pergunto 'afinal o que compreendeste de mim?' A minha verdade alguma vez te fez perder as horas da noite a pensar que tenho alguma razão ainda que não concordes comigo? Compreendes o que sinto? Não podes - adivinho-te resposta. Não podes porque eu não existo no teu aqui e agora, sou um resto de ontem e ontem já não existe também e não se perde tempo a compreender o que é passado e já não tem importância, o que está arrumado numa qualquer prateleira invisível do armário que guardas interiormente, fechado a cadeado. A minha verdade é feita da matéria das correntes que me prendem ainda a ti. Incomoda-te o que eu sinto, eu sei, mas sinto. Não tenho nada a ganhar ou a perder. Seja como for, não te vou atrapalhar com o meu querer, importa-me apenas que, mesmo longe, sejas feliz. Conseguiste cumprir o que a tua razão impera? 'O teu coração e o teu corpo já desistiram de mim' como querias? Gostava tanto de saber como preenches, por dentro, os teus dias...
terça-feira, dezembro 15, 2009
Avançou com confiança em direcção ao seus sonhos. Nem muito depressa nem muito devagar. Um avançar feito de avanços mas também de recuos e de pausas. Com confiança mas não sem dúvidas. Sempre mais além na direcção da linha do horizonte, onde os sonhos vivem, a confiança em si mesmo e nos sonhos alimentando um movimento perpétuo. Avançou, avança ainda e há-de avançar, sempre em direcção aos seus sonhos. Os sonhos, esses, estão-se nas tintas.
quarta-feira, novembro 25, 2009
quarta-feira, novembro 18, 2009
terça-feira, novembro 17, 2009
Intervalos de chuva
Nem sempre o que brilha são estrelas, nem sempre o que dizemos é ouvido como foi dito à partida. Nem sempre reagimos com razão universal. Nem sempre pensamos ao encontro do outro. Nem sempre nos encontramos à mesma distância. Nem sempre sabemos o que pensar. Nem sempre percebemos o que nos querem dizer. Nem sempre estamos no mesmo sítio na altura certa. Nem sempre estamos de olhos abertos atentos a tudo como gostaríamos. Nem sempre acertamos. Falhamos e nem sempre compreendemos como. Falhamos. Conheço a culpa do que digo com intenção e a impotência perante uma má interpretação. Sei de cor a minha culpa nas coisas que digo pensadamente. E sei também as coisas que digo por dizer sem prejuízo intencional. Falho de ambas as maneiras, como quem não sabe dizer sem magoar e magoar-se. Um dia saberei interpretar tempestades e andar por entre os intervalos da chuva. Um dia serei capaz de evitar as poças de água de um lado e do outro do nosso caminho. O meu coração continua no mesmo sítio, abraçado a ti.
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