domingo, junho 17, 2007

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A verdade?
A verdade é que pouco sei a que pertenço, a que pertencer ou a quem.

A verdade é que caminho meio às apalpadelas, por não conseguir distinguir um segundo à frente dos olhos, ou uma qualquer imagem concreta através do olhar.
A verdade é que nunca sei o que esperar e estou cansada.

A verdade é que sinto os dias a escorregarem pelas mãos.
E sinto frustração e tristeza por ter dado tanto de mim e me aperceber, de dia para dia, que tudo foi em vão.
A verdade é que sempre acreditei que ficava um pouco de nós em qualquer coisa que tocássemos, em qualquer sítio onde tivéssemos estado...
A verdade é que me julgava importante e não sou.
A verdade é que me sinto insignificante. Nunca fui nada, nem um pequeno grão de areia a quem guardar.
A verdade é que para mim, que acredito, que gosto, é difícil respirar quando se é nada.
A verdade é que é difícil ser, com toda a complexidade das cores, tons e sub tons que nos compõem.
A verdade é que é difícil distinguir o que são resíduos do que foi, dos resíduos da ausência pura e simples...
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c r a s h
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é a sensação do toque
sentimos tanto a falta desse toque
que colidimos uns contra os outros só para sentir alguma coisa
A vida corre, furiosa, sem travões, agarrada ao asfalto, impulsionada pelo peso dos dias.
A vida pesa, e devora-nos…
Os nossos dramas pessoais são sempre maiores e mais importantes que os dos outros, o nosso amor um punhal de auto-flagelação. Ninguém percebe. Mas também ninguém quer perceber.
Transformamos as nossas inseguranças em bastiões e armas de arremesso, as nossas frustrações em murros no estômago, e partimos para a violência, transportando dentro do peito verdadeiras bombas relógio. Corremos a alta velocidade levando à frente quem quer que se atravesse pela frente, estejamos nós na via de sentido obrigatório em sentido contrário ou não. O poder transfigura-nos ao ponto de partirmos para a agressão dos outros, provocando tanta dor quanto aquela que sentimos, impotentes…
Temos medo de amar, de nos enlaçarmos, de nos prendermos ao outro, medo que nos magoem, que nos humilhem, nos ridicularizem, nos abandonem. Mudamos de estratégia, de defesa para o ataque. Confundimos a estratégia. Usamos e abusamos da estratégia onde esta não se aplica. Racionalizamos. Erguemos barreiras de aço ao nosso redor, aço e vidro. Tocamo-nos para além dos 8mm de espessura de vidro, e assim, o toque, sempre frio, não chega para nos confortar. Os corpos não chegam sequer para se envolverem. Vivemos na ilusão de que nos tocamos, nos conhecemos. Vivemos uma espécie de amor esterilizado, e não chegamos sequer a tentar perceber a forma e a temperatura do outro, ou cheiro, o sabor. Não nos chegamos sequer a dar…
Procuramos conforto, compreensão e obtemos nada.
Revoltamo-nos e magoamos o primeiro que nos aparece à frente…
Estamos sós, apesar de toda a gente que nos rodeia, apesar de todos aqueles que amamos, sem que o demonstremos, também...
Demonstrar amor é um risco. O risco de criar dependências, o risco de nos puxarem para o abismo, para a loucura. É mais fácil ser livre… e inerte.
Não deixamos de viver amarrados a outras coisas menos importantes, a correntes invisíveis, e de repente acontece um milagre, de repente acontece um pesadelo, de repente acontece nada.
O acaso.
O mundo é um lugar complexo. Nós somos um lugar complexo. Cada um de nós.
E ninguém entende a diferença. Somos todos diferentes e no entanto insistimos em acreditar que há quem seja ainda mais diferente, como se isso fosse anormal, anti-natural, uma fraqueza, um factor de inferioridade.
Medo. Somos um animal que alimenta um medo faminto e furioso…
Preferimos viver de relações de poder, de violência, de força. Relações inertes…
Vimos a vida a preto e braço, de contrastes marcados e contornos esbatidos, texturados.
Colidimos ao invés de nos ameigarmos.
Estranha forma de viver…
Assustadora.

quarta-feira, junho 13, 2007

Do quotidiano e das coisas simples...

Acho que me tornei uma pessoa de hábitos simples e facilmente caio em rotinas quotidianas, que também quebro, de vez em quando, mas logo retomo. Pequenos prazeres. E há sempre pequenas coisas que me fazem falta.
Entristeço quando não recebo, de tempos a tempos, uma carta. Adoro escrever e que me escrevam. Fico expectante pela resposta, pelas novas perguntas, por dar e receber afectos. Adorava receber cartas lindas, nos mais variados suportes, com recortes e pedaços de papel, tecidos empastados com óleos coloridos, papéis perfumados…
E mesmo hoje me sinto entristecer com a falta de pequenas coisas que não acontecem como costumavam acontecer.
Talvez seja por isso que tento não cair em rotinas. Quando me faltam, parece começar a desabar o mundo.
Talvez seja por isso que tento não me prender. Porque me afeiçoo e entristeço um pouco mais de cada vez que alguém começa a ir. Mas também é por isso que me dedico de cada vez que alguém vem e me entra pela porta adentro e tento fazer de cada dia mais um dia diferente. É por isso que cada laço que crio tem de ser tão especial. E é por isso que prefiro fortalecer os laços que já tenho do que criar outros e muitos, pequenos e finos, frágeis. Fazem-me lembrar as linhas de pesca quando se cruzam e enleiam, que na maior parte das vezes não é possível desenlear. Porque quando assim acontece, os pescadores só tem uma coisa a fazer… Cortam as linhas e voltam a pescar com o resto que está no carreto.
Os meus laços não são descartáveis nem tem pesos e anzóis na ponta.
A minha vida é feita de pequenos prazeres que desfruto dia a dia. É preenchida com os pequenos momentos especiais de todos os dias. É isso que me importa, mais à música e à arte, e às pontas dos teus dedos que sonho que me tocam levemente. Mais os teus beijos e abraços que sonho que virão, e a tua presença.
Não me interessa a riqueza dos materiais do invólucro, a imagem ou o preço (estas coisas não têm preço). O invólucro descarta-se, como as linhas de pesca.
Interessa-me o que está dentro disso. Nada mais.
Interessa-me a tua presença todos os dias como me habituaste. E cada vez mais, é maior.
Não quero ser de uma só cor mas de todas as cores, porque não me identifico se não com o espectro, e este sou eu, inteira, em cada uma delas.
Nunca me revi apenas num género, numa ordem, e sempre fui uma multiplicidade desordenada deles. Sempre encontrei o meu caminho na diagonal do caminho de muitos outros que me tentaram e tentam empurrar para um sentido que não é meu.
A música que ouço não é a de um tipo, ou a de um género, e o que ouço é sempre uma multiplicidade de sons que a compõem, numa diversidade infinita de ordens e desordens.
Sempre fui como as marés, as que experimentam todos os estados de estar, crescer e diminuir, como as águas e a corrente do mar, como as ondas que cavalgam sobre si mesmas, desordenadas, ora exasperantes ora suavemente sobre o veludo do mar.
Nunca soube o que queria e no entanto sei pouco do que quero. Sei o que não quero.
Não desejo apenas uma só coisa mas uma variedade delas. Chego contradizer-me no gosto. Gosto da paixão, da suspensão, do amor atemporal, desprendido e comprometido, de todas as formas.
Procuro por qualquer coisa que sejamos nós.
Uma procura de encontro de angústias, dores, pequenos prazeres e felicidade partilhada em pequenos momentos, de um misto agridoce numa esfera de loucura.
Vagueio e vejo coisas de todos os lados e quase nada consigo decidir.
Paro.
Suspendo-me.

Limbo

Estou em estado líquido, como estão hoje as águas do mar. Serenas, ondulando na beira da praia.
Cá dentro, levanto as areias do fundo (que depositei há tempos, um dia de cada vez) remexendo os infinitos pequenos grãos, turvando as águas na fronteira entre o mar e a terra, lavando as profundezas de mim.
Estou no limbo.

domingo, junho 03, 2007

E porque não há um sem dois... aqui vai outro!

What Your Soul Really Looks Like

You are very passionate and quite temperamental. While you can be moody, you always crave comfort.

You are a grounded person, but you also leave room for imagination and dreams. You feet may be on the ground, but you're head is in the clouds.

You see yourself with pretty objective eyes. How you view yourself is almost exactly how other people view you.

Your near future is calm, relaxing, and pretty much what you want. And it's something you've been anticipating for a while now.

For you, love is all about caring and comfort. You couldn't fall in love with someone you didn't trust.