quarta-feira, junho 13, 2007

Não quero ser de uma só cor mas de todas as cores, porque não me identifico se não com o espectro, e este sou eu, inteira, em cada uma delas.
Nunca me revi apenas num género, numa ordem, e sempre fui uma multiplicidade desordenada deles. Sempre encontrei o meu caminho na diagonal do caminho de muitos outros que me tentaram e tentam empurrar para um sentido que não é meu.
A música que ouço não é a de um tipo, ou a de um género, e o que ouço é sempre uma multiplicidade de sons que a compõem, numa diversidade infinita de ordens e desordens.
Sempre fui como as marés, as que experimentam todos os estados de estar, crescer e diminuir, como as águas e a corrente do mar, como as ondas que cavalgam sobre si mesmas, desordenadas, ora exasperantes ora suavemente sobre o veludo do mar.
Nunca soube o que queria e no entanto sei pouco do que quero. Sei o que não quero.
Não desejo apenas uma só coisa mas uma variedade delas. Chego contradizer-me no gosto. Gosto da paixão, da suspensão, do amor atemporal, desprendido e comprometido, de todas as formas.
Procuro por qualquer coisa que sejamos nós.
Uma procura de encontro de angústias, dores, pequenos prazeres e felicidade partilhada em pequenos momentos, de um misto agridoce numa esfera de loucura.
Vagueio e vejo coisas de todos os lados e quase nada consigo decidir.
Paro.
Suspendo-me.