Na última semana o prazer da leitura falou mais alto e perdi-me entre romances e aventuras! Ficam aqui as sugestões dos dois livros que li e que recomendo vivamente!
O Jardim do Éden
de Ernest HemingwayCatherine e David são um jovem casal apaixonado em Lua de Mel. O cenário é a costa francesa e alguns locais de Espanha. Mas é em La Grau-du-Roi o principal pano de fundo da história passada nos anos 20 onde Catherine bebe, nada, come, bronzeia-se, cuida do cabelo, do corpo - e tem ciúmes da escrita do marido. Ele bebe, nada, come, bronzeia-se - e trabalha. É ela que está no comando das operações, ele está num abandono doce, absorvido por ela.
Um dia ela aparece com o cabelo cortado como um rapaz. E, na cama, quando fazem amor, ela é Peter, e ele é Catherine.
O casal parece viver no paraíso, imbuído no éden.
Até que Marita, nova e estranha aparece e o jogo começa. O casal acolhe Marita e apaixona-se por ela, e ela apaixona-se por ambos entrando num triângulo amoroso que acaba por excluir Catherine.
Um conto que David está a escrever, sobre uma caçada em África com o pai onde perseguem um elefante, leva-nos até à África Oriental e aos sentimentos para com o pai que o acompanha no safari e as emoções que lhe despertam as duas mulheres que o esperam à porta do quarto de hotel onde escreve.
Este romance póstumo foi publicado em 1986, um quarto de século depois do suicídio do escritor.
La Grau-du-Roi foi onde Hemingway passou a lua-de-mel com a segunda mulher. O pormenor é relevante quando se sabe que a matéria usada para a obra foi muito mais a sua vida do que a imaginação.
O Velho que lia romances
de amor
de Luís Sepúlveda"Foi a descoberta mais importante de toda a sua vida. Sabia ler. Mas não tinha que ler."
Havia um Velho que vivia junto da natureza no seu estado mais puro. Solitário, descobre um dia que sabe ler e procura livros diferentes até descobrir o estilo que mais lhe agrada. São os romances de amor que consome avidamente, dedicando-lhes muitos momentos do dia. Sempre a seu lado está uma garrafa de "Frontera", a bebida espirituosa consumida por quase todos os personagens.
É um dentista amigo que lhe fornece os livros de amor e que conta a sua história, ao longo das 110 páginas que são um elogio à natureza e, em particular ao mundo amazónico.
Conhecedor da floresta amazónica, dos seus encantos e armadilhas, depois de ter vivido por vários anos entre a tribo "xuar", o velho é um dia confrontado com a exigência de partir em busca de um animal predador que ataca pessoas. E é este o seu maior desafio.
"A vida na floresta temperou-lhe cada pormenor do corpo. Adquiriu músculos felinos que, com o passar dos anos, se tornaram secos. Sabia tanto da floresta como um xuar. Era tão bom a seguir rastos como um xuar. Nadava tão bem como um xuar. Ao fim e ao cabo, era como se fosse um deles, mas não era um deles".