
A arte...um produto industrializado?!
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo experimentou mudanças económicas poderosas que se repercutiram no comportamento social e individual. As trocas comerciais entre as nações intensificaram-se, a economia passou a ser dominada pelas grandes organizações e a influência americana tornou-se quase universal.
A arte também passou a ser influenciada pelos símbolos visuais próprios da publicidade, da fotografia, das histórias em quadrinhos e do cinema. Surgia a pop art e Andy Warhol tornou-se no seu maior expoente. É, então, o registro do ambiente visual da sociedade capitalista que havia sido menosprezado pelos representantes da "cultura académica".
Em reacção ao subjetivismo da arte abstracta, a pop art é uma ironia ao mundo capitalista e ao seu modo de produção. Ao trazer para as artes materiais que fazem parte do quotidiano das grandes cidades, este movimento rompe as barreiras entre a arte e o dia-a-dia. Embora pop art signifique "arte popular", não há aí referência à produção artística do povo, mas à produção em massa, o que confere à obra um carácter de produto de consumo.
Pop Art X Dadaísmo
A arte pop identifica uma supremacia económica americana que surgia fortemente naquela ocasião, presente na publicidade que garantia uma grande penetração dos produtos americanos em todo o mundo, incluindo aí a música e o cinema. Andy Warhol tornou-se símbolo desse novo estilo que ajudou a glorificar ao mesmo tempo que ironizava a massificação.
Ao contrário do Dadaísmo de Marcel Duchamp, a pop art não é motivada pelo desprezo ou animosidade contra a civilização actual; considerada a cultura comercial como matéria-prima, uma fonte inesgotável de material pictórico, mais do que um mal a ser combatido. A pop art apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. Ela proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmistificando, já que utilizava objetos próprios delas, a arte para poucos.
São famosas obras da pop art os trabalhos de Andy Warhol em serigrafia sobre tela de embalagens de sopa em lata Campbell (1965) e de garrafas de Cola-Cola (1962). Em 1967, ele apropria-se da imagem da actriz norte-americana Marilyn Monroe que reproduz em sequência, sobre a qual aplica várias combinações de cores. Ao retratar Marilyn com a mesma lógica com que retrata a lata de sopa, Warhol quer mostrar que, em uma sociedade de massa, o mito é tão descartável quanto uma lata.
Warhol: a arte da reprodução mecânica
Andy Warhol mostrou a sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual. Suas polaróides têm como uma das temáticas os ídolos mundiais da música, do cinema, da televisão, do desporto e até da política, como Elvis Presley, Marilyn Monroe, Liza Minnelli, Pelé, Sylvester Stallone e Jimmy Carter. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade.
Da mesma forma, e usando, sobretudo, a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro. Produzidas na segunda metade da década de 70, as polaróides de Warhol desvelam risíveis momentos na vida das celebridades. Também constam da mostra nove auto-retratos, imagens de drag queens e composições envolvendo sapatos e ovos de Páscoa.
O tema central de Andy foi o retrato, principalmente de personalidades famosas do cinema e da política. Entretanto, o artista sempre fazia o retrato através de material fotográfico bem conhecido, usado como publicidade das personalidades. Mesmo em uma séria sobre animais e plantas, Andy jamais procurou aproximar-se dessas plantas e animais.
Warhol preparava os seus quadros, desenhos e pinturas, através de fotografias de revistas. Também supervalorizava detalhes, principalmente a boca nos retratos femininos, enaltecendo a sexualidade ao máximo. Em matéria de retratos, isso foi uma inovação e rapidamente o artista destacou-se, sendo cercado pelos famosos. Trouxe assim a fama para a sua vida, mas trafegou também no sentido oposto. Ao retratar os seus amigos, sempre através de fotografias que ele mesmo tirava para depois servir de modelo, terminava por levar a sua intimidade para a fama.
A arte de Warhol é pautada pela recriação do modo que se vê o mundo. As pessoas são recriadas, os animais são recriados, tudo para que o mundo de Andy possa se constituir como uma outra realidade. Nessa recriação o artista modifica a realidade que o inspirou, muda o que está ao redor, transformando o "mundo real" em seu mundo.
