Gosto de espreitar o sorriso e as letras que o fazem no concâvo das bocas. Encanta-me a caligrafia que o escreve quando decifrado no contexto imaginário daquilo que os meus olhos lêem.
Agrada-me ler sorrisos. Agrada-me sentir o que cada sorriso esconde, ou tenta esconder.
Por vezes dou comigo a ler parágrafos soltos de sorrisos sozinhos, solitários que não fazem parte de qualquer história. Ocos e vazios, são como letras imprimidas num rosto que não se sente a sorrir. Mesmo assim, nessa diferença conseguem ser sorrisos exactamente com as mesmas letras dos sorrisos que fazem parte de valiosos textos escritos com alma.
Gosto de ler sorrisos cúmplices, espontâneos, lêem-se por si mesmos, escrevem-se no rosto radiante em abecedário de sentir. Nascem, renascem e voltam a si mesmos imprimidos na palavra que une a primeira à ultima letra de um simples olhar. São sorrisos que contagiam e me fazem acreditar que sorrir é como amar...
Encanta-me ler sorrisos, gosto de dar a ler os meus sorrisos. Gosto principalmente dos sorrisos indecifráveis, aqueles que não se conseguem ler mas estão lá. Não se vêm, não se dão, mas sentem-se. Rabiscam-se sem preceito numa tinta invisivel aos lábios, transbordante nos olhos. São os sorrisos da alma. São sorrisos brilhantes que por serem tão intimos, não se partilham com a nossa própria pele por tanto os queremos sentir por inteiro. São sorrisos egoístas, narcisicos talvez, mas concerteza os sorrisos mais intensos e felizes que nos podemos oferecer...
Hoje não sorrio...sorrio-me de dentro para dentro. Escrevo nos olhos tudo aquilo que o mais belo SORRISO desenhado na mais perfeita das caligrafias labiais jamais conseguirá descrever.
É.
Sorrio-me...
...
