Anabark, Entre o mar e a terra (JUN05)Avançando pela areia dos dias, regresso ao mar onde nasci, àquele mar que não começa onde a terra acaba, porque ninguém sabe o príncipio nem o fim do mundo. Parto num barco pirata e regresso ao mar sem margens, ao imenso azul que não se esgota na reflexão do céu e que continua para além do horizonte. Regresso aonde o chão me fugiu. Procuro-me em várias ilhas que me encontram e deixo as estrelas indicarem-me um caminho. Num mapa antigo, rasgado pelo vento da viagem, só havias tu, mas tu ficas do outro lado do mundo, onde o meu barco não chega nem o vento me empurra. Por vezes, adormeço ao leme e descubro-me em novos mundos de terra firme. Por lá me passeio e me retorna a pressa de partir para lugares onde não me prometi. Às vezes sonho que sei chegar ao outro lado do mundo e, na minha imaginação, abandono-me a essa vontade de marear no impossível. Ninguém sabe por onde ando, só, talvez, tu e quem me apanha distraída.
