domingo, março 18, 2007

Perdidos...

Ainda se questionava sobre o porquê daquela relação que não levava a lado nenhum e que poderia trazer mais um travo amargo à sua vida. Gostava dele. Fazia-a sorrir e era divertido. E sentia-se bem quando estavam juntos.
"- Tu de certeza que um dia encontras alguém. A mim ninguém me quer."
"- Tens razão, vou ter de concordar contigo!" - disse ela sorrindo e provocando uma gargalhada que encheu o quarto.

Aquele episódio, por alguma coisa, ficara gravado na sua memória. Poderia ser pela felicidade do riso que ecoava entre as paredes confidentes de tantas conversas ou pelas memórias que habitavam aquele espaço.

Tinha medo de lhe pedir tempo. Porque a pior coisa que há para ouvir é um não. E, embora fosse uma mulher decidida e lutadora, havia coisas porque jamais lutaria. Poderia dar a entender e esperar que ele conseguisse captar a mensagem. Mas a certa altura percebeu que o tempo dele para ela era como um arco-íris. Aparece quando chove e traz um pouco de cor mas essa felicidade esporádica desaparece num ápice. Percebeu, mal ou bem, que talvez ele não se importasse tanto com ela como dava a entender. E o que a magoava mais eram essas dúvidas. Não sabia no que acreditar, em quem acreditar. A razão e o coração não seriam jurados neste caso e a decisão final seria deixada pendente até um dia confiar de novo.

Ele não seria condenado. Seria ilibado porque pensara nele. E ela viveria a pena mais dura que poderia que poderia suportar. Sentir que a amizade que houve não seria mais a mesma. Pagara um preço demasiado caro por algo que vivera. Poderia alguma vez ter de volta a pessoa especial e meiga que conhecera anos antes? Sentia falta desse homem com corpo de rapaz e trocá-lo-ia pelo rapaz com corpo de homem em que se havia tornado. E percebeu que se poderia ter iludido. Os sentimentos e as saudades eram de alguém que se havia transformado.

Esse perdera-o para sempre. Porque ele quis. Porque ela deixou.

Mas hoje e amanhã só ela se lembrará de quem ele foi... um dia.