segunda-feira, julho 24, 2006

Não oiço a chuva que cai mas o silêncio em que ela cai...

As horas arrastaram-se infinitamente e lá fora nuvens negras povoaram o céu. Subitamente começou a chover. A chegada da chuva apenas cumpriu os indícios da sua presença, tal como uma sentença já conhecida. Até a Natureza é tão previsível...
Durante três longas horas choveu. Todo este tempo a chuva bateu furiosamente nas vidraças, despertando-me da letargia que já tomei como minha. Este som foi o mais abstracto apelo que já ouvi.
Percebi o que tinha que fazer. Corro para a porta e abro-a. Sem temor ou angústias.
Corro até lá fora e deixo a chuva acolher-me. Sacrifiquei alguns dos meus medos nesta minha celebração.
Continuou a chover e desta vez choveu em mim. Desta vez choveu apenas por mim.