domingo, novembro 01, 2009

Momentos

momentos em que me apetece decorar as cores do céu, ou os cheiros da cozinha, ou as luzes da cidade. Há momentos em que me apetece deitar na areia da praia, na relva do campo, na cama, há alturas em que me apetece deitar e observar, ouvir, cheirar. Há momentos em que os meus sentidos despertam, como se subitamente assaltados pela lembrança de vida. E o significado das coisas é diferente nesses momentos. A sua importância quase nenhuma é levada a tocar o extremo oposto. E é precisamente a não necessidade que temos de sentir o mundo que torna esses momentos preciosos. O não necessário é, necessariamente, precioso.

Ouvir o silêncio nem sempre é compensador. Mas é-o nesses momentos. Ouvir o silêncio nunca é necessário. É um prazer supérfluo, como todos os prazeres e é isso que o torna precioso. Outros silêncios são tristes, pesados, deprimidos, mas não nesses momentos. Porque, em boa verdade, o silêncio é nosso, somos nós que o lemos.

domingo, outubro 25, 2009

Sentimentos: Dias de Chuva

chuvas e chuvas.

chuvas em que chove chuva. Há chuvas imensamente tristes porque são supérfluas. São apenas as nuvens deixando cair o seu ar cinzento. São chuvas que servem somente para que do céu tombe água. São chuvas frias e despojadas de sentimentos.

Mas por vezes o céu precisa de chorar todas as coisas que nunca ninguém se lembrou de chorar. Sente-se no ar a melancolia do céu, sente-se a sua solidão, querendo falar ao sol e à lua e ao mundo e não podendo. E sente-se a sua frustração por dar importância a coisas que mais ninguém dá, por querer chorar coisas cuja existência já todos esqueceram há muito tempo. Por vezes o céu deixa cair sobre nós palavras salgadas e desencontradas, palavras soltas, todas as palavras que nunca pode dizer. Por vezes chove poesia do céu.

E se houver arco-íris, foi porque o sol o fez rir.

domingo, julho 26, 2009

De ontem até sempre

Olho sempre em frente, mesmo quando nos visito o passado... Gosto de voltar atrás e seguir os passos que nos trouxeram até aqui e nos hão-de levar por diante até onde o tempo deixa de ter a importância terrena que orienta os dias de toda a gente. Gosto de reencontrar-nos no passado e de reconfirmar a escolha com a intensidade de quem renasce com um sentido definido. Gosto de sentir-te todos os dias com o entusiasmo da primeira vez. Gosto desse regresso ao passado pela oportunidade de projectar-nos o sempre em que nos reconhecemos indivisíveis. Desculpa se sou obsessiva na insistência do que nos recordo, mas não conheço maior expressão de amor senão aquela que revive o encontro de almas em eterna celebração.

sábado, julho 18, 2009

Segundo a segundo


A vida é a soma das horas e do que deixamos construido nelas. Depois do fim dos dias, seremos apenas o que deixarmos ficar da nossa presença no tempo que percorremos dentro e fora de nós. Nada acontece sem consequências, tudo é um princípio um meio e um fim. Cada gesto, cada palavra contam, fazem a diferença de um antes e um depois na distância que vai daqui a ali. A vida é esse contra-o-tempo em que corremos todos os dias de olhos fixos no relógio. Por vezes, perdemos tempo e envelhecemos nessa inconsciência. E quando damos por isso é tarde demais para regressar ao ponto útil das coisas, porque o momento certo não se repete, é único e quando acontece é nossa missão fâze-lo durar para toda a vida. Sensatez e sabedoria é perceber que o tempo que dispomos, que é tão pouco para o tanto por fazer, é valioso em cada segundo.

sexta-feira, julho 10, 2009

Devagar...

Por vezes os dias não são favoráveis à conjugação de palavras com sentido inequívoco. E nem sempre conseguimos organizar os pensamentos fiéis à lógica em que ocorrem. Nem sempre descobrimos as palavras com a rapidez dos sentidos. Há dias lentos, tão lentos que nos chega a doer a vontade de chegar mais depressa a qualquer sítio. Dias que passam devagar... Muito devagar. São dias estranhos, estagnados como a água de lagos que nem gente nem vento visitam. E mesmo que nos esforcemos para regressar à nossa velocidade normal, tudo acontece descoordenado numa dormência de corpo que não sabemos evitar por desconhecermos a sua origem. São estes os dias tímidos entre estações, em que as cores encobertas esperam luz que as descubra, pacientemente embaladas pela brisa...

quarta-feira, abril 08, 2009

Quase...

Hoje… Apetece-me deixar tudo por fazer e correr até onde estiveres para te despir num gesto único e descontrolado, porque é descontrolada a minha vontade de te ter pele na pele e de me fundir contigo. Agora… Apetece-me ouvir o gemido húmido e incontido do corpo que nos escorrega no desassossego constante que nos anima. Neste preciso momento… Apetece-me dar-te voz na minha voz num mesmo movimento instintivo. De repente… Apetecem-me todos os beijos que nunca esgotamos e fazê-los durar até adormecer embrulhados numa febre contínua. E finalmente… Apeteces-me despido aqui e agora e em todos os minutos que demoram até te chegar, porque me apeteces sempre e em toda a parte mesmo que te tenha todo e completamente em mim. Porque o desejo é permanente e a vontade absoluta.

sábado, março 08, 2008

Previsões:

Sem:


Palavras…


Confusa


Difusa.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Simply Unforgettable




Unforgettable, that's what you are
Unforgettable though near or far
Like a song of love that clings to me
How the thought of you does things to me
Never before has someone been more

Unforgettable in every way
And forever more, that's how you'll stay
That's why, darling, it's incredible
That someone so unforgettable
Thinks that I am unforgettable too

No never before
has someone been more ooh

Unforgettable in every way
And forever more, that's how you'll stay
That's why, darling, it's incredible
That someone so unforgettable
Thinks that I am unforgettable too


domingo, fevereiro 24, 2008

moving through sadness


tristeza



do Lat. tristitia

s. f.,
qualidade ou estado de triste;
consternação;
dó;
aspecto que revela mágoa ou aflição;
melancolia;
angústia.


quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Desequilíbrio

Por vezes, quando o caminho se torna difícil, mas temos pressa, arriscamos e caímos. Perdemos tempo e calor e no corpo arrefecido invade-nos a dor. E, por momentos, perdemos a razão que nos fez correr com a pressa do risco. Dói-nos o corpo e, nesse instante de feridas em que chegamos a ter pena de nós próprios, fixamos o momento em que as forças faltaram e nos desequilibrámos. E ficamos cada vez mais frios e mais doridos, à espera de qualquer coisa que nos salve do chão frio. E, quase por instinto, enquanto esperamos e olhamos em volta, voltamos a nós mesmos e, nesse porto de abrigo interior, reencontramos a razão da nossa pressa em vencer as dificuldades do caminho que nos maltratou. O calor regressa-nos e salva-nos a vontade de chegar. Levantamo-nos e caminhamos. Não desistimos. Seguimos a pé se for preciso, mas seguimos. Caídos no chão morremos longe do destino. Sobrevivemos. Levantamo-nos e caminhamos, passo a passo, devagarinho, ao encontro da vida. Não desistimos. Aos poucos, o sangue aquece com força suficiente para chegar onde nos leva o coração. Se não desistirmos havemos de lá chegar.


desequilíbrio



s. m.,

perda de equilíbrio;

falta de equilíbrio;

falta de harmonia, de proporções entre as várias partes de um todo;

desarranjo das faculdades mentais.